Poderá comparar-se ao trabalho laborioso de um arqueólogo. Maria (mais conhecida como Mami) dedica-se a vasculhar as lojas antigas de Lisboa, revelando os preciosos tesouros que escondem. O grande objetivo d'A Arqueolojista é devolver a estes espaços o protagonismo e o brilho de outrora.
O mais difícil nesta "ciência" é seduzir os lojistas: “Essa é a parte emocionante... Não se pode entrar a matar de máquina em punho, a fazer perguntas (parece coisa da ASAE)... Corro o risco de ser corrida à vassourada. Depois de um certo namoro lá começa o romance e aí sim, sou sempre bem recebida. E quando lá volto... Ainda é melhor!”, conta a Arqueolojista ao Boas Notícias.
Por detrás deste “novo ramo” da "arqueolojia", está Mami Pereira uma jornalista freelance “155 anos mais nova que a Confeitaria Nacional, que começou a vender Bolo Rei em 1829”.
E o seu principal objetivo é “pôr as gentes a redescobrir as lojas, a comprar português". “Quero voltar a dar vida ao comércio tradicional, 'vender' o que é nosso com muita pinta aos turistas lá de fora e aos cá de dentro”, salienta Mami ao Boas Notícias.
A exploração das lojas mais velhinhas de Lisboa começou quando, “ali para os lados da Praça da Figueira, numa loja que vende lingerie sénior”, Mami conheceu os seus “lojistas prediletos” e escolheu “um pijaminha para a avó, entre brindes e castanhas”.
"As pessoas atrás do balcão são o verdadeiro tesouro"
Neste momento, Mami já visitou mais de 20 espaços, o que se traduz num ritmo de atualização semanal do seu blogue. E as portas destas lojas estão abertas 24 horas por dia, no site da Arqueolojista, com textos em tom de reportagem/crónica e fotos, muitas fotos das lojas, dos lojitas e dos detalhes mais preciosos de cada espaço.
Para descobrir estas lojas é preciso, sobretudo, dar asas à curiosidade. “Geralmente andamos (…) atrasados para tudo e esquecemo-nos da curiosidade. As lojinhas estão lá mas estão escondidas e para se ler o livro não basta a lombada, tem que se enfiar o nariz nas páginas”, diz Mami.
Mas o mais surpreendente, garante a Arqueolojista, são as pessoas. “As lojas são maravilhosas mas as pessoas atrás do balcão são mesmo o verdadeiro tesouro, as melhores surpresas”, sublinha.
“O sapateiro/piloto de automóveis Xavier Moreira é um 'achado' incrível. A Tia Lila das Castanhas inesquecível. O Sr. Carlos da Ervanária Rosil fez-me rir, o Sr. Cassiano fez-me sentir uma Cinderela e o gravador Carlos Guerreiro pagou-me uma cervejinha e ensinou-me tudo sobre o seu ofício com um gosto imenso”, recorda Mami, dando alguns exemplos.
"Nostalgia é o nosso apelido"
Quanto às reações que tem recebido, a jovem Arqueolojista confessa que “ultrapassaram as expectativas mais loucas”. “Os portugueses gostam mesmo do que é deles (…), a Nostalgia é o nosso apelido. Agora é pegar nesse entusiasmo e canalizá-lo para a conservação deste passado feito presente”, conclui.

Neste momento, Mami tirou umas férias e estará alguns meses a viajar pela América do Sul, continuando, no entanto, a atualizar A Arqueolojista. Após duas semanas fora do nosso país, Mami confessa já ter saudades: “De facto não há nada como a nossa cozinha, as nossas praias, o nosso vinho, o nosso pão… E porque não? As nossas lojas!”.
Agora espreite o blogue, o Facebook e perca-se no maravilhoso mundo d' A Arqueolojista. Mas não se esqueça de ir para além da Net: atreva-se a entrar nas lojas onde irá com certeza encontrar muitas surpresas, provavelmente com mais qualidade, mais originalidade e melhores preços do que os produtos dos centros comerciais.
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