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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Terapia pioneira regenera corações após enfarte

Terapia pioneira regenera corações após enfarte
Foto © Cedars-Sinai Heart Institute
Até hoje, os danos resultantes de enfartes no coração eram considerados irreversíveis. Mas agora, uma equipa de cientistas dos EUA desenvolveu uma terapia celular que consegue regenerar o coração após um ataque cardíaco. O estudo foi publicado esta segunda-feira na revista The Lancet.
 
Esta equipa de cientistas do Cedars-Sinai Heart Institute em Los Angeles (E.U.A.) e da Universidade Johns Hopkins em Baltimore fica para a história depois de ter conseguido, pela primeira vez, regenerar de forma eficiente e segura o coração danificado e diminuir o tamanho das cicatrizes. 
 
Os cientistas operaram pessoas que tinham sofrido ataques cardíacos de modo a recolher células saudáveis do coração. No laboratório, conseguiram condicionar essas células para se multiplicarem em milhões de células musculares.

Cerca de um mês depois, os pacientes receberam entre 12 e 25 milhões de células musculares cardíacas. Ao fim de um ano, quase metade da cicatriz tinha desaparecido, e parte do tecido do coração estava regenerado.
 
Eduardo Marbán, médico e autor do estudo, disse à CNN que “isto nunca tinha sido conseguido antes, apesar de se ter passado uma década a fazer terapias de células em pacientes com ataques cardíacos. Agora conseguimos. Os resultados são surpreendentemente melhores do que o que obtivemos em animais”.
 
Os cientistas trabalharam com 25 pacientes, dos quais oito serviram de controlo e 17 experimentaram esta nova terapia, no Johns Hopkins Hospital. Todos eles eram homens brancos, com uma faixa etária média de 53 anos e tinham sofrido um ataque cardíaco há menos de dois meses.

O grupo do controlo foi observado durante um ano e os resultados da regeneração do músculo e da diminuição da cicatriz foram praticamente nulos e registaram sérias perdas de capacidade cardíaca.

Já o grupo que passou pelo tratamento, revelou um enorme progresso: logo após o ataque, estes pacientes demoravam seis minutos para percorrer 11,4 metros e, um ano depois do tratamento, eram capazes de percorrer 44,6 metros no mesmo período de tempo.
 
A explicação está no facto dos ataques cardíacos provocarem a diminuição da quantidade de sangue bombeado pelo coração. Para a equipa este prognóstico é muito positivo.
 
De acordo com o artigo na revista The Lancet, já foram efetuadas terapias semelhantes com células da medula óssea para tratar o coração, mas verificou-se apenas uma ligeira diminuição da cicatriz e não foi observável qualquer regeneração do músculo.
 
Esta nova terapia pode mudar o futuro, se forem efetuados mais ensaios clínicos e se os pacientes revelarem bons resultados num maior período de tempo.

Clique AQUI para aceder ao estudo na revista Lancet.

[Notícia sugerida por Elsa Martins]



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